Continuando a saga, vamos para o segundo volume do CD de 2001, a segunda edição do Gaita-L. Está impossível postar estas músicas com a frequência que eu gostaria, mas agora foi pelo menos mais esta parte, devagar e sempre. No fim teremos todos os CDs para download.
O relato do Kenji continua neste segundo volume da edição de 2001, como se segue.
Eu também me assustei quando descobri que haveria um segundo CD. Deve ser a impressão que se tem na hora do parto em descobrir que são gêmeos…
Quem abre o CD é Ailton Rios, com sua versão de “Ode to Joy”. Um brinde para adivinhar o que ele fez nesta faixa. Em seguida, Alex Dupas conta a história de Amélia, que resolve deixar de ser uma mulher de verdade para ser blueseira, que no fim das contas é bem melhor mesmo…
Alexandre Bubel volta às raizes Robertjohnsonianas do blues e tempera com uma bela gaita o clássico (I Believe) I’ll Dust My Broom. Em seguida, Rodrigo Eberienos divide o palco do SPAH com brendan Power em “The Tonguetwister” e “Tip of the Iceberg”. Ambos os nomes já dizem bem o que são as músicas. Uma verdadeira preciosidade, esta faixa.
Não bastasse o improviso do primeiro CD desta edição, Rodrigo Eisinger volta a fazer bonito no microfone do kit multimídia e faz um improviso com o improvável nome “Improvisei”. Em seguida, o gaitista brasiliense Engels Espíritos impressiona com seu rock-jazz-fusion-interplanetário “Carrosel Planetário”. Prato cheio para os fãs do estilo do Sugar Blue.
Ainda no rock, mas desta vez mais no pop, o gaitista mineiro Ferrari investe em atacar com a gaita no lugar e na hora certa de “Barrigas Falam”, da banda Jam Pow!. Há quem ouça uma criança de rua chorando no solo. Deixo a discussão semiótica ao ouvinte.
Fred Luna, que fez o famoso “Microfoninho Branco de Computador” da primeira edição do CD do Gaita-L, volta desta vez com os Allman Brothers na alma, em “Midnight Rider”. Greg Aliman ficaria orgulhoso. Feeling em estado puro. Em seguida, André Godoy, um dos “Gãos”, interpreta nada mais nada menos, que o ótimo “Blues dos Gãos”.
Novamente, nosso consultor para assuntos gaitísticos aleatórios e cerveja, Gaspar Vianna (banda Garganta Seca) aparece em “Sou um alguém”, sobre a vida de uma moça da “difícil vida fácil”, desta vez numa gaita mais limpa e igualmente habilidosa e competente.
Geison MAX volta com “RhythmBoogie”, um boogie esperto, interessante e muito bem executado.
Em seguida, Giuliano Ghisi faz seu improviso sobre a própria base de guitarra em “Scratch”, gentilmente enviado da Grécia para o CD do Gaita-L.
Hugo Moreira, o Hugaum, faz a farra em “Worried About Anything”, bem no estilo “Gaita, Violão e Farra”. Só faltaram a cerveja, as mulheres e a praia. Diversão pura, para quem toca e para quem ouve.
Em seguida, Júlio Rego volta num estilo totalmente diferente de sua faixa no primeiro volume deste CD duplo e faz um blues de arrepiar. Belíssimo.
Leonardo Kenji, que sou eu, faz sua versão de “Cry me a River”, uma canção que ficou imortalizada na voz de Marilyn Monroe (ela era cantora? Bem, que seja a Julie London então…) e recentemente redescoberta pela cantora Rita Lee no disco “Bossa and Roll”, de 91.
Depois do ouvinte chorar um rio inteiro, vem o harmonicista mineiro Marcelo Batista salvar a pátria com sua excelente versão de “Summertime”, recheados daqueles bends monstruosos (no bom sentido, evidentemente) que é uma de suas marcas registradas.
Rodrigo Oliveira de Assis, o “Mosquito”, que também esteve homenageando o Raulzito na primeira edição do CD do Gaita-L, volta a aparecer no blues “Mellow Mama Blues”. O bom filho à casa torna, e com estilo e competência, diga-se de passagen.
Roberto Noboru faz um “Easy” nada fácil e muito competente. Por pouco, ele não participou da primeira edição do CD do Gaita-L. Desta vez ele não escapou. Sorte de quem ouve o CD. “Easy” é um clássico da gaita, de Walter Horton. Como se o Walter Horton fizesse qualquer coisa fácil… Na sequência, Pedro Kokaev arma o “Barraco” com uma banda prá lá de “funky” e abençoado pela ótima Hilmara no vocal. Cássia Eller que se segure. Pedro é também prata da casa da turma de gaitistas de BH.
Renato Padovani traz o clássico “Miss Celie’s Blues”, popularizado pela interpretação de Renato Russo no CD “Stonewall Concert”. Sua banda, o “Dodjão do Blues” é uma alusão ao possante que bebia tanato quanto os membros da banda, que infelizmente não existe mais. Mas a esperança é sempre a última que morre.
Roberto Maciel, gaitista e o responsável pela primeira (e enorme) reportagem a respeito da primeira edição do Gaita-L no jornal “O Povo” de Fortaleza, mandou sem “Primeiro Blues”. Nada mais justo. Ao violão, o mesmo Diogo Farias que interpretou “Saudade” no primeiro volume desta segunda edição do CD do Gaita-L.
Para finalizar o segundo CD com chave de ouro, novamente, mais uma belíssima e raríssima faixa das gravações perdidas dos Harmonikings, dos quais o também excelente Ulysses Cazallas fazia parte, “Hava Naghila”, que acreditem, é uma das favoritas dos fãs de rockabilly também. Mas eu não vou contar a história dessas músicas de novo. Já falei no outro CD deste duplo.
Vale notar que tem um pessoal que está presente em vários CDs e aqui começamos a perceber melhor a evolução musical de cada um, só ouvir o mesmo artista em CDs diferentes.
Bom, por enquanto é isso. Até a próxima edição, de 2002, que também é em dois volumes. Ainda preciso colocar as capas de cada álbum pelo menos para deixá-las registradas aqui também.